Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Meio-dia, Meia Avenida


Indefinição

Meio-dia, Meia Avenida


Descanso esse verso
Em canção florida
Onde desconverso,
Amadurecida.

Escrevo o reverso
Em contrapartida;
É grande o universo
E me sinto ouvida

Nesse tergiverso
Que me dá a acolhida,
Mesmo que em reverso
E meio indefinida,

Esse algo diverso
Da exata medida
Disso que extroverso,
Meio-dia, meio avenida.

terça-feira, 17 de abril de 2018

O Templo Maldito / Miniconto


O Templo Maldito

     Terezinha, três anos e meio de idade, na escolinha maternal. A mãe pensou que a escolinha do templo fosse bom para uma menina que desejava fosse bem educada.
     Um dia, em sala, Terezinha pediu um copo de água para a professora.
     _Saia e vá buscar, Terezinha, É só subir a escada.
     Terezinha não sabia as palavras. Subiu as escadas e andou por enormes corredores, andou e andou e não via nada.
     De repente viu uma cozinha grande. Nela estavam o religioso e algumas pessoas.
     Ela se dirigiu a uma das mulheres e disse, do jeito que falava:
     _Ata.
    A mulher respondeu:
     _O que foi, menina?
    Ela insistiu:ata.
     A mulher sorriu e não deu água nenhuma.
     O religioso disse:
     _Que criança bonita. De quem é?
     Ninguém sabia de quem era a criança.
     A menina pensou na mãe e disse mãe e saiu andando para voltar a sala de aula.
     Voltou às escadas e aos corredores.
     As moças faziam orações.
     Ela queria saber onde era a sala, mas não sabia falar.
     Andou e andou e parecia que as moças a ignoravam e continuavam fazendo orações.
     Cansou, sentou na escada e pôs-se a chorar.
     Passaram-se algumas horas naquela escada. Ela chorou, desmaiou, acordou com as mãos de uma mulher que a levou para fora do lugar.
     Lá fora a sua mãe gritava e pedia pela polícia para que encontrasse a sua filha.
     Quando a menina viu a mãe,ela chorou aos berros, abraçou a mãe e agarrava-se aos seus cabelos e disse que queria ficar com ela, na linguagem que sabia falar, abraçando, chorando e agarrando a mãe com pavor daquela gente estranha.
     A mãe a levou ao médico, que verificou se a menina não tinha sido agredida fisicamente.
     O médico brincou, acalmou, deu água à mãe, e água e docinhos próprios para crianças pequenas.
     As duas só saíram do consultório depois que o médico restabeleceu a tranquilidade delas.
     _Eu vou prescrever uma receita para a menina. A senhora me prometa que irá medicar imediatamente.
     A mãe prometeu ao médico que sairia dali e providenciaria a medicação antes de ler a receita.
     O médico escreveu e deu à mãe:
     Na receita estava escrito:
     "Tire imediatamente essa menina dessa escola e não a coloque em escola nenhuma antes dos cinco anos para que ela possa se queixar da escola".
     O médico olhou bem para a mãe da menina e diagnosticou:
     _Se a senhora não entendeu, tentaram roubar a menina.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Deus Falaria Somente Com Os Cristâos?

Deus Falaria Somente Com Os Cristâos?

     Às vezes, eu tenho a impressão de que Deus só conversa com os cristãos, porque eu o percebo todos os dias na minha vida.
     Hoje, tive contato com duas realidades diversas, a primeira uma dúvida que terá que ser solucionada em tempo prórpio, a segunda eu me vi numa senhora que passava na rua e pensei: Deus tirou essa realidade de mim e me abençoou.
     Eu tenho agora uma certa certeza de que o leitor vai pensar em dinheiro.
     Se o leitor pensar em dinheiro, algo humano, por favor, que passe numa livraria evangélica e compre o livro com dicas econômicas para os cristãos. Eu ainda não li, mas até agora ninguém teceu críticas ao livro, e muito ao contrário, até se sentiram abençoados.
     Não existe virtude nenhuma na pobreza, começa por aí e segue.
     Observei aquela senhora atravessar a rua e pensei mais uma vez que poderia ser eu.
     Veio à mente essa reflexão, a de que até mesmo a realidade é outra quando se segue a fé, pelo menos a cristã.
     Essa minha realidade de pensar que é possível ser abençoada para transmitir esse sentimento de que Deus é presente e presença na vida de todos, por si só é uma bênção.
     Outra bênção é a permissão para que tenhamos cultura e conhecimento. Essa é uma busca permanente e elucida a ideia, seja em que ramos de conhecimento for.
     Agora, se escrevo que me sinto abençoada é porque saí preocupada com os projetos dos outros e as expectativas dos outros sobre mim.
     Ao ver aquela mulher atravessar a rua, me perguntei sobre os projetos de Deus para mim, esses são os que realmente importam.
     Porque os projetos dos outros e as expectativas dos outros também dependem da vontade de Deus, embora eles não saibam.
     Pergunto, como é que eu sei que eles não sabem?
     Não sabem porque se valem apenas dos caminhos humanos.
    Que caminhos humanos? Todos, incluindo o caminho da mais valia, para quem não sabe é aquele que diz que quem pode mais chora menos.
     Quem é que garante tal coisa? Eles mesmos.
     Voltei para casa resolvida.
     Deus fala com os cristãos, que também estão sujeitos ao mundo, mas o mundo não é Deus.
     Se eu não escrevo sobre isso, quem é que vai buscar cultura, conhecimento e, sobretudo a palavra divina?
     A impressão que eu tenho é que ninguém que não seja cristão.
     Deus é quem permite esses novos desafios, e permite para que eu conte que Ele fala.
     Ele fala através de pessoas também.
     Foi o que aconteceu hoje. É o que acontece para quem lê o que está escrito.
     Que essa bênção possa ser alcançada por mais pessoas, é só isso que se pode querer. 

domingo, 15 de abril de 2018

Filtro de Tempo

Filtro do Tempo


O filtro do tempo
Perde um bom momento
E cuida do mau;
Falsa catedral

De um esquecimento
É o encaixotamento
De um portento umbral,
Onde o elemental

Substitui um alento
E todo argumento
Por rede fractal
Sem luz, impontual.



sexta-feira, 13 de abril de 2018

Hora de Repouso

Hora de Repouso


À janela, o som do vento
Canta a chuva e alguma esfriada,
Arrazoa algum pensamento,
Que, por si é esse quase nada

Que descansa em passatempo
D'uma semana ocupada,
Feita de aprimoramento,
Porque em som foi transformada.

Esse amadurecimento
Veio de alguma encruzilhada,
De alegria e aborrecimento,
Numa esquina que é dobrada.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Segredo / Reflexão


Segredo / Reflexão

     Uma das minhas mãos ao piano. Para que filmar apenas uma mão ao piano.
     Quem pediu uma das minhas mãos ao piano? Filmada e enviada por whats.
     Não que eu seja impressionável, mas a música ficou a desejar.
     Eu não gosto quando querem ver uma unha, uma mão, pedaços de mim.
     Sendo filmada em pedaços, ninguém sabe de mim, sabe apenas pedaços.
     É um desabafo e não consigo proibir a todos que fazem isso.
     Não é um celular em cima de uma das minhas mãos que me deixa tensa em apresentações escolares.
     Dizem que eu tenho que aprender, mas aprender o quê exatamente?
     Aprender de quem não sabe de mim, senão em pedaços?
     Pedaços não são um todo.
     E mais uma vez aparecem os ensinamentos.
     Alguém disse ao meu avô que gostava dos cachos dos cabelos de minha mãe.
     O meu avô tirou uma fotografia dos cabelos dela e enviou a foto para a pessoa, que respondeu que gostava de minha mãe inteira e não somente os cachos, porque ela era uma criança adorável.
     Ele era um homem culto e, o ensinamento ficou.
     Ele era pai e não gostava que gostassem de pedaços porque o amor é inteiro.
     Assim ele ensinou a minha mãe, que me ensinou o mesmo.
     É segredo porque eu não sei onde essa mão vai parar e quem vai vê-la.
     Estudo demais e, até que é sorte, porque, enfim, posso melhorar, se esse vídeo chegar ao meu conhecimento, coisa que não vai acontecer.
     Esse é um exemplo, mas há meses atrás foram as minhas unhas, lembram-se?
     Eu mesma tirei foto das minhas unhas e postei no blog, afinal na minha tela a sugestão de unhas não faltou.
     E por aí afora, a curva do pé e outras esquisitices.
     Pelo menos eu sei que isso não é bem querer e sei distinguir os bons sentimentos dessas estranhezas.
     É como se fosse para não esquecer, mas eu prefiro não pensar, embora preste atenção em cada vez que isso acontece, porque é um segredo de não se sabe quem, que volta e meia me pega desprevenida com essas esquisitices.
     Escrevo sem intenção de criticar, mas de constatar algo, para que eu mesma anote quando é que essas coisas acontecem, com que causalidade e frequência.
     Que não se importe a filmadora de hoje, passará um tempo e outra pessoa pegará algum pedaço de mim para, filmar, fotografar e comentar.
      Esquisito é tudo o que tenho a dizer. 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Artesã

Artesã


Meu tempo
É vento;
Num voar

Ambiento
O alento
De estar

Ao assento;

E criar.